O que são as Anfetaminas?

anfetaminas

As anfetaminas são um grupo de substâncias químicas sintéticas, ou seja, não são produtos naturais, mas sim fabricadas em laboratório. Consideradas drogas estimulantes, que estimulam o sistema nervoso central aumentando a atenção e a excitação geral, elas se assemelham estruturalmente aos neurotransmissores dopamina, serotonina, adrenalina e noradrenalina, responsáveis pela sensação de prazer e bem-estar no organismo.

A anfetamina foi sintetizada primeiramente em 1927 e logo depois a metanfetamina, usada inicialmente como descongestionante nasal dentre 1932 e 1949. Além disso, ela já foi utilizada como antidepressivo, moderador de apetite e controlador de peso, substituto do sono para aumentar a performance, no tratamento de períodos de sono incontrolável e da hiperatividade infantil.

O uso de anfetaminas foi muito disseminado entre os soldados da Segunda Guerra Mundial e seu abuso cresceu durante a guerra no Japão, Suécia e outros países europeus. A explosão do uso aconteceu nos Estados Unidos durante a década de 60 e seu abuso continua sendo um problema significativo: grande parte das anfetaminas produzidas legalmente é desviada para o uso ilegal.

Vamos conferir a seguir como as anfetaminas se classificam, são usadas, agem no cérebro, seus efeitos, riscos e o tratamento para sua dependência.

1) Como se classificam as anfetaminas?

As anfetaminas, popularmente conhecidas como “bolinhas”, são um grupo de substâncias e se classificam da seguinte maneira:

  • Fenproporex, Metilfenidato, Manzidol, Metanfetamina e Dietilpropiona: todas estas são comercializadas em forma de medicamento (por exemplo, Dualid S; Hipofagin S; Inibex S; Moderine, Desobesil-M, Fagolipo, Absten-Plus, Pervitin e Ritalina).
  • Efedrina e a Catinona: são dois parentes naturais próximos da anfetamina. A efedrina é extraída do arbusto Ephedra sinica e suas folhas são usadas em chás estimulantes e na medicina tradicional, como a droga chinesa Ma Huang, e ainda é usada em preparos não prescritos para asma suave. A catinona é encontrada nos arbustos Catha edulis e usada como estimulante e facilitador social.
  • Ecstasy (MDMA): conhecida como “a droga do amor”, é uma das drogas mais usadas principalmente pelas pessoas que freqüentam as raves, festas que duram o final de semana inteiro e normalmente realizadas em locais abertos, como sítios, por exemplo. Normalmente os usuários consomem o ecstasy com bebidas alcoólicas, que intensifica mais o efeito e agrava os riscos, podendo provocar um choque cardiorrespiratório.

2) Como as anfetaminas são usadas?

As anfetaminas normalmente são utilizadas por pessoas que precisam dirigir durante várias horas sem descanso, estudantes que passam noites estudando muito e até por aqueles que fazem regime para emagrecer sem acompanhamento médico. Elas podem ser absorvidas através de:

Acabar com o zumbido no ouvido
  • Ingestão: o consumo é via oral, podem ser ingeridas em cápsulas ou comprimidos, podendo ser diluídas em água ou dissolvidas em bebidas alcoólicas.
  • Inalação: aspiradas em forma de pó, como a cocaína.
  • Injeção: muitos usuários injetam anfetaminas numa veia. Para eles, grandes doses intravenosas produzem uma experiência agradável imediata, seguida de irritabilidade e desconforto, que podem ser superados por outra injeção.
  • Fumo: fumadas em cachimbos, por exemplo, nos Estados Unidos, recebendo o nome de “Ice” (gelo, em português).

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As anfetaminas ainda são usadas legalmente em prescrições médicas para tratamento da narcolepsia (distúrbio crônico do sono que causa sonolência excessiva durante o dia) e da hiperatividade infantil (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade).

3) Como as anfetaminas agem no cérebro?

No cérebro, as anfetaminas entram nos terminais dos axônios (ou fibra nervosa, que conduz impulsos elétricos desde o corpo celular até outros locais mais distantes) e tomam lugar da dopamina, da serotonina, adrenalina e da noradrenalina, que então escoam do terminal e interagem com seus receptores, causando prazer e bem-estar. Elas são muito solúveis em gordura e com o uso repetido acumulam-se no cérebro e em células de gordura.

Quanto mais rápida uma dose de anfetamina é transportada, mais alto é o nível alcançado e maior é a euforia. As adaptações das células acontecem com o uso repetido das anfetaminas e a tolerância se desenvolve rapidamente (com o usuário precisando de doses cada vez maiores para produzir o efeito desejado), além de serem responsáveis pelos sintomas de retirada da droga, como sono excessivo, aumento de apetite e comportamento depressivo.

4) Quais os efeitos das anfetaminas?

As anfetaminas produzem efeitos de longa duração e podem fazer efeito durante quase um dia inteiro. A adrenalina causa um efeito associado ao medo e ao reflexo de “luta ou fuga”, além de liberar anfetaminas das células de gordura. Esta liberação pode ser a razão para um conhecido aumento dos efeitos provocados pelas drogas, como a psicose paranóica e a agressão física.

Os efeitos imediatos do consumo das anfetaminas são:

  • Aumento da agilidade.
  • Dilatação das pupilas.
  • Diminuição da sensação de fadiga e tédio.
  • Aumento da autoconfiança.
  • Euforia e bem-estar intensos.
  • Alívio das dores.
  • Sensações amorosas (como no uso do ecstasy, a “droga do amor”).
  • Agitação
  • Confusão mental
  • Sensibilidade aumentada (como no uso do ecstasy, em que as luzes ficam mais fortes, o corpo amolece, os sons ficam mais altos etc).
  • Desidratação intensa
  • Aumento do batimento cardíaco e da pressão arterial.
  • Elevação da temperatura que pode levar a acessos convulsivos e causar uma febre de até 42 graus (como no uso do ecstasy).
  • Atividades que exigem resistência parecem mais fáceis.

5) Quais os riscos do uso das anfetaminas?

O uso a longo prazo de anfetamina é acompanhado por drástica deterioração da saúde física e mental. Essa longa duração do uso de anfetaminas e seu acúmulo são os responsáveis pela grande ocorrência de psicoses tóxicas. Elas são potencialmente neurotóxicas em doses apenas duas ou três vezes maiores que a dose mínima necessária para produzir efeitos psicológicos.

Com o uso contínuo de anfetaminas, a pessoa passa a ser incapaz de experimentar prazer devido à morte dos neurônios. Quando os efeitos das anfetaminas passam, os seguintes malefícios são presenciados:

Acabar com o zumbido no ouvido
  • Ressecamento da boca
  • Perda de apetite
  • Náuseas
  • Coceiras
  • Câimbras
  • Contrações oculares
  • Espasmo do maxilar
  • Fadiga
  • Depressão
  • Irritabilidade
  • Dor de cabeça
  • Visão turva
  • Manchas roxas na pele
  • Crises de bulimia
  • Insônia
  • Delírios de perseguição, que podem levar à violência.
  • Alucinações visuais ou aditivas
  • Movimentos descontrolados de vários membros do corpo (braços e pernas).

6) Qual o tratamento para a dependência de anfetaminas?

anfetaminas tratamento

Normalmente o tratamento para dependentes em anfetaminas é a internação (hospitalização), com interrupção do uso das drogas, avaliação de médicos clínicos, psiquiatras e neurologistas.

O tratamento é voltado para os âmbitos biológico, psicológico e social, sendo mais efetivo com a combinação de medicamentos (geralmente antidepressivos e ansiolíticos), Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), psicoeducação, terapia familiar, aconselhamento e terapia de grupo (terapia dos 12 passos), que farão o usuário compreender os aspectos da dependência química e quais os motivos o levaram ao abuso das drogas, reinserindo-o na sociedade com mais segurança e diminuindo o risco de recaída.

Fonte:

http://www.druginfo.adf.org.au/drug-facts/amphetamines

Farmacêutica Especializanda em Assistência Farmacêutica Hospitalar Instituto Central do Hospital das Clinicas de Sao Paulo.