10 Principais Sinais de Autismo nas Crianças

10 Principais Sinais de Autismo nas Crianças

autismo, também chamado pelos profissionais da área de Transtorno do Espectro Autista (TEA), é um distúrbio neurológico que se desenvolve antes dos 3 anos de idade. Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), a doença compromete todo o desenvolvimento psiconeurológico e se caracteriza pela dificuldade de interação social, principalmente, por meio da comunicação verbal (a fala).

A maioria dos autistas possui uma restrição no comportamento, seja pela repetição dos movimentos ou pela imitação. Eles apresentam também um interesse em áreas específicas e preferem ficar isolados.

A doença atinge cerca de 0,6% da população geral e quatro vezes mais o sexo masculino do que o feminino, em qualquer classe social. O grau da doença varia e pode ir desde um quadro mais leve, em que a fala e o aprendizado não são afetados, até um grau mais alto, em que ocorrem casos de atraso mental e agressividade por parte do autista. Certa dos 60% dos indivíduos autistas apresentam epilepsia.

O DSM-5, última edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, acrescenta mudanças importantes, englobando a Síndrome de Asperger como uma forma mais branda de autismo. Assim, os pacientes passam a ser diagnosticados apenas em graus de comprometimento, tornando o diagnóstico mais completo.

I) Quais são as causas do autismo?

As causas desse transtorno são desconhecidas e há muitas pesquisas sendo desenvolvidas sobre o assunto. Há pouco tempo acreditava-se que a doença estava relacionada apenas às relações familiares “problemáticas”, porém, essas hipóteses foram descartadas. Algumas pesquisas já afirmam que as causas do autismo é uma combinação entre os fatores genéticos e ambientais.

Hoje, alguns estudos sugerem que a hereditariedade esteja ligada à doença, porém não foram encontrados genes específicos que comprovem essa suposição. Um estudo feito por pesquisadores suecos e publicado no The Journal of the American Medical Association (JAMA) explicou que os fatores genéticos são apenas 50% das causas do autismo. A outra metade está, segundo a pesquisa, relacionada aos fatores ambientais individuais, que podem incluir a medicação recebida antes da gravidez, as infecções da mãe nesse período, as dificuldades durante o parto e até o ambiente de criação.

II) Quais são os sintomas?

Os sintomas do autismo podem ficar aparentes antes dos três anos de idade, logo nos primeiros meses, e variam muito de acordo com o grau da doença e com o paciente.

Os principais sintomas são:

  • Sintomas que dificultam a relação social: não gostam de contanto visual, são indiferentes a existência ou os sentimentos dos outros, incapacidade de fazer amizade, não conseguem ler expressões faciais, corporais e, às vezes, são um pouco agressivos.
  • Sintomas que afetam a comunicação verbal e não verbal: dificuldade para se comunicar alguns chegam nem a falar, ausência de comunicação verbal e não verbal (expressões faciais, gestos, mímica ou linguagem falada).
  • Sintomas ligados imaginação e generalização: ausência de atividade imaginativa como: representações de papéis em peças, falta de interesse em histórias repletas de acontecimentos não reais, dificuldade em matérias com álgebra, não por não saberem matemática, mas pela dificuldade de generalizar.
  • Sintomas ligados ao movimento comuns: fazem movimentos corporais como: pancadas com as mãos ou rotação movimentos de torção, movimento de vai-e-vem do tronco, batimentos de cabeça, movimentos complexos de todo corpo.
  • Sintomas ligados a objetos e a mudanças: preocupação excessiva com partes de objetos ou ligação e atração por objetos estranhos. A mudança de ambiente ou rotina para o autista causa sofrimento, se atenta a detalhes e se eles forem alterados causa um sentimento de angústia.

III) Confira a Lista Abaixo as 10 Principais Sinais de Autismo nas Crianças:

10 Principais Sinais de Autismo nas Crianças

1) Desafios  sociais

É preciso estar bastante atento às crianças, pois o desenvolvimento de cada uma delas é diferenciado, apesar de existir um padrão médio. No caso de crianças autistas, os desafios sociais, ou seja, a interação com outros indivíduos, como olhar para as pessoas, buscar as vozes, ou mesmo agarrar um dedo são realizadas de formas tardias.

 2) Dificuldade de aprendizado

Como no primeiro sinal, a dificuldade de aprendizado se torna uma das principais características da criança com autismo, ou seja, além de não realizar interações com outras pessoas, a criança também possui uma dificuldade maior em realizar tarefas consideradas “fáceis”.

3) Hiper ou Hiposensibilidade

A entrada sensorial em indivíduos com autismo é processada de forma diferente. Neste caso, a criança autista pode desenvolver tanto a hiper como a Hiposensibilidade, sendo ambos referentes a questões como luz, sons, cores, texturas, gostos e cheiros. Dessa forma, a hipersensibilidade faz com que a criança não goste de determinadas cores, sons, enquanto na Hiposensibilidade ela buscará os sons, luzes e cores que a estimulam como, por exemplo, pulando na direção da luz.

Acabar com o zumbido no ouvido

4) Anexo do objeto

Como a maior parte das crianças autistas tem dificuldade de interação com outras pessoas, elas costumam substituir essa interação para realizar com bonecos ou brinquedos que, à primeira vista, podem ser considerados prediletos.

5) Fascinações

Assim como no tópico anterior, as crianças autistas que possuem algum objeto preferido costumam ficar fascinadas por ele, buscando conhecer todos os fatos ou detalhes que envolvam a preferência em específico.

6) Aparente falta de empatia

Enquanto a empatia é um sentimento facilmente percebido na maioria das crianças, pode haver certa dificuldade em detectá-la na criança com autismo, tendo em vista que elas possuem uma maior dificuldade em entender as situações a partir da perspectiva de outra pessoa.

7) Indiferente à interação humana

A dificuldade de comunicação e do desenvolvimento social interfere diretamente nesse sinal de que a criança possa ter o transtorno. Crianças com autismo não costumam estabelecer relações, sendo comum que elas não se interessem por jogos ou atividades que incluam socialização.

8) Comportamentos repetitivos

Considerado um dos sintomas centrais do autismo, a criança que possui o transtorno costuma realizar comportamentos repetitivos, como movimentos de mão, arrumar objetos, repetir sons ou frases. Repete palavras ou trechos memorizados, como comerciais.

9) Disfunção do sono

Não ter o sono regular também é uma das características das crianças com autismo que, se não tratadas, podem afetar também os adultos que convivem com o transtorno.

10) Desenvolvimento da comunicação não verbal

Pelas dificuldades, já citadas aqui, de comunicação, interação e desenvolvimento social, a criança autista costuma estabelecer uma grande relação com a comunicação não verbal. Dessa forma, desenhos, fotos ou gestos podem tornar-se uma forma de estabelecer o contato com elas.

Alguns outros sinais característicos de quem tem autismo são

  • Falta de medo em situações perigosas.
  • Crises de choro e de riso sem razão aparente.
  • Avesso às mudanças.
  • Evita o contato físico.
  • É muito passivo ou hiperativo.
  • Possui os sentidos sensoriais (audição, tato, olfato, paladar) ampliados ou diminuídos.

IV) Como diagnosticar?

Normalmente, é um neuropediatra ou um psiquiatra especializado em autismo que identifica os sintomas. Alguns familiares também podem perceber os sinais, porém, eles tendem a achar alguns comportamentos normais para uma criança.

O médico vai buscar por sinais de atraso no desenvolvimento da criança e poderá encaminhá-la aos especialistas da área, afim de obter um diagnóstico mais preciso. Para se enquadrar no autismo, a criança deve possuir pelo menos 6 sintomas clássicos do transtorno, conforme informado no DSM-5.

Os Estados Unidos possuem uma Associação Nacional para a doença (ASD), assim como o Brasil há a Associação Brasileira de Autismo (ABRA). No site da Associação Brasileira, você pode encontrar uma cartilha com muitas informações e tirar suas dúvidas. Veja a cartilha aqui: http://www.autismo.org.br/site/images/Downloads/7guia%20pratico.pdf 

V) Quais são os tratamentos?

10 Principais Sinais de Autismo nas Crianças

O autismo não tem cura e a pessoa diagnosticada precisará conviver com o distúrbio para o resto da vida. Para amenizar alguns sintomas e até para diminui-los são usados alguns tratamentos que variam de acordo com o paciente.

A seguir seguem alguns dos tratamentos mais usados, lembrando que o acompanhamento médico nesses casos é primordial:

A) Estimulação: a estimulação precoce é a melhor ferramenta para o autista se desenvolver bem, estimular a fala, a interação social, amenizar sintomas como agressividade, alimentação, pois alguns autistas se restringem a poucos tipos de alimentos, algumas manias destrutivas e aprende a lidar com mudanças.

Existem escolas públicas de estimulação precoce, porém a estimulação precoce é ideal para bebês e como o diagnóstico de autismo no Brasil é tardio, essa estimulação se torna complicada.

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B) Intervenções terapêuticas: Têm diversas intervenções terapêuticas que tratam o autismo, trabalhando com: a linguagem/comunicação, os problemas comportamentais e sociais.

A terapia de fala (o que inclui um fonoaudiólogo), musicoterapia, osteoterapia, alguns medicamentos (para controlar a hiperatividade, a impulsividade, as dificuldades para dormir, as convulsões e a irritabilidade), o treinamento auditivo, a prática de atividade física, fisioterapia e a psicoterapia (individual ou em grupo), são algumas das formas para tratar o distúrbio. Com os tratamentos adequados e combinados com uma orientação familiar constante, o autista consegue conviver normalmente com seus familiares e com a sociedade.

Há medicamentos que amenizam os sintomas do autismo, mas somente um especialista pode indicá-los, caso seja necessário.

Como curiosidade, são exemplos de autistas conhecidos: Michael Phelps, Bill Gates, Beethoven e Albert Einstein.

VI) Onde Tratar o Autismo?

Existe a Associação Amigos do Autista (AMA), onde o atendimento é gratuito, atuando em todo Brasil e ajudando muitas famílias. Trata o autismo com medidas psicoeducacionais, ajuda e orienta a família e desenvolve a linguagem/comunicação.

A equipe da AMA é muito capacitada e conta com: psiquiatras, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas e educadores físicos.

Métodos Utilizados pela AMA

A Associação Amigos do Autista (AMA) utiliza métodos com comprovação científica. Entenda a seguir um pouco sobre estes métodos.

  • TEACCHR (Treatment and Education of Autistic and Related Communication Handcapped Children): é um programa estruturado que combina diferentes materiais visuais para organizar o ambiente físico através de rotinas e sistemas de trabalho, de forma a tornar o ambiente mais compreensível; esse método visa à independência e o aprendizado.
  • PECSR (Picture Exchange Communication System): é um método de comunicação alternativa através de troca de figuras, uma ferramenta valiosa tanto na vida das pessoas com autismo que não desenvolvem a linguagem falada, quanto na vida daquelas que apresentam dificuldades ou limitações na fala.
  • ABA (Applied Behavior Analysis): análise comportamental aplicada que se embasa na aplicação dos princípios fundamentais da teoria do aprendizado baseado no condicionamento operante e reforçadores para incrementar comportamentos socialmente significativos, reduzir comportamentos indesejáveis e desenvolver habilidades. Há várias técnicas e estratégias de ensino e tratamento comportamentais associados à análise do comportamento aplicada que tem se mostrado útil no contexto da intervenção, incluindo (a) tentativas discretas, (b) análise de tarefas, (c) ensino incidental e (d) análise funcional.

O uso do medicamento deve ser prescrito pelo médico e é indicado quando existe alguma co-morbidade neurológica e/ou psiquiátrica e quando os sintomas interferem no cotidiano. Mas vale ressaltar que até o momento não existe uma medicação específica para o tratamento do autismo. É de grande importância o médico informar sobre o que se espera da medicação, qual o prazo esperado para que se perceba os efeitos, bem como os possíveis efeitos colaterais, segundo a AMA.

Veja esta reportagem sobre o autismo (62:00):

 


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