Às Vezes Fico muito Eufórica e Outras Vezes muito Deprimida. Por quê?

Às Vezes Fico muito Eufórica e Outras Vezes muito Deprimida. Por quê?

Às vezes você percebe que fica muito eufórica e outras vezes deprimida? Por que isso acontece? Atenção, pois pode indicar um distúrbio afetivo conhecido como Transtorno Bipolar. E como identificar se realmente você tem este problema ou não? Tudo depende dos sintomas, gravidade e freqüência com que eles ocorrem.

Confira agora o porquê isso acontece e como se tratar desse problema:

Às Vezes Fico muito Eufórica e Outras Vezes muito Deprimida. Por quê?

1. Oscilação de humor entre ficar eufórica e deprimida: o que significa?

Se você apresenta períodos alternados entre depressão e euforia (uma excitabilidade extrema, ou mania como é chamada pelos especialistas da área) pode ser uma forte indicação de um Transtorno Bipolar. Essas oscilações de humor podem ocorrer rapidamente, serem curtas ou longas, durando dias, semanas ou meses. Cada fase também pode durar entre 3 a 6 meses em média ou até se apresentarem ao mesmo tempo. Neste transtorno, pensamentos e comportamentos são intensos e mudam drasticamente.

Para exemplificar, uma pessoa na fase depressiva pode não querer sair da cama, punindo a si mesma, com falta de energia e frustrada sobre sua vida, enquanto na fase da mania, ela pode sentir uma grande excitação após dormir poucas horas e sair para fazer compras, gastando muito dinheiro de forma impulsiva. A pessoa gasta tanta energia na fase maníaca que se esgota, levando-a a um estado depressivo e gerando danos em todas as áreas da vida (pessoal, trabalho, etc).

2. Mas por que isso acontece comigo?

Se realmente seu problema for um transtorno bipolar, certas causas podem ter levado você a apresentar esse problema, que podem ser tanto externas (causas genéticas e biológicas) como internas (causas psicológicas e ambientais). Então fique atenta se você possui ou sofre de:

  • Predisposição genética, ou seja, parentes com histórico do transtorno bipolar;
  • Mudanças físicas no cérebro, neurotransmissores e hormônios em desequilíbrio;
  • Estresse excessivo;
  • Experiências traumáticas, como, por exemplo, abuso sexual, luto, mudanças repentinas na vida (mudar de casa, casar, perder um emprego etc);
  • Efeito colateral de certos medicamentos, como os antidepressivos, inibidores de apetite e cafeína em excesso, por exemplo;
  • Abuso de álcool e outras drogas (álcool e calmantes podem causar depressão; cocaína e ecstasy podem levar à euforia / mania).

O transtorno bipolar pode acometer tanto homens como mulheres em qualquer idade, porém, é mais comum em adolescentes ou jovens adultos, geralmente entre 15 e 25 anos.

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3. Às vezes você percebe que fica muito eufórica e outras vezes deprimida? Por que isso acontece?

Como já citado anteriormente, as duas fases, maníaca e depressiva, podem ocorrer simultaneamente ou rapidamente uma após a outra, durando dias, semanas ou meses.

Mas quais sinais indicam uma euforia (mania) e quais indicam depressão?

A) Fase da Mania (Euforia): dormir muito pouco; distrair-se com facilidade; perda de controle; impulsividade; compulsão por alimentos ou bebidas alcoólicas e drogas; gastos excessivos; ritmo enérgico exagerado; envolvimento em experiências perigosas / comportamentos de risco; discernimento diminuído; fala rápida e excessiva; hiperatividade; sentimento de poder e superioridade; agitação, agressividade, irritação e impaciência; delírios e alucinações (somente em casos graves).

B) Fase Depressiva: falta de energia, fadiga, desânimo e tristeza, com desinteresse nas atividades anteriormente prazerosas; isolamento; dificuldade de concentração e memória; perda ou alto ganho de apetite; sentimentos de: irritabilidade, inquietação, inutilidade, vazio, culpa e desesperança; pensamentos suicidas ou autodestrutivos; auto-estima baixa; problemas do sono (dormir demais ou insônia); diminuição da libido; lentidão física e mental; fala lenta, arrastada; dores sem explicação aparente.

4. Como saber se tenho ou não um transtorno bipolar?

O que diferencia uma euforia normal de uma patológica é que a normal é aquela sentida quando se está muito feliz, quando se conquistou algo, como um emprego, um prêmio ou uma festa muito esperada que está por vir, por exemplo. Já euforia patológica é desproporcional diante dos fatos, sem justificativa para agir daquela forma impulsiva e ilógica, onde há comprometimento dos pensamentos e do comportamento.

O mesmo vale para algumas situações onde parecemos deprimidos, tristes e cansados. É normal passarmos por isso em alguns momentos de nossas vidas, mas para ser considerado normal é necessário que haja um motivo real para que essa sensação ocorra e que seja de forma passageira. Do contrário, os sintomas persistem e se tornam parte de um transtorno afetivo.

Mudanças de humor podem ocorrer em qualquer fase da vida, porém, apenas um especialista poderá identificar o transtorno bipolar. Para diagnosticá-lo, é necessário procurar um médico psiquiatra. Ele solicitará alguns exames (físicos e laboratoriais, como de sangue, por exemplo) e fará alguns testes (análise psicológica) para confirmar o quadro psicopatológico e eliminar qualquer suspeita de outras doenças. Além disso, haverá uma análise de sua história familiar e de sua saúde durante a vida.

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5. Como faço para me tratar deste problema?

Geralmente, o tratamento para transtorno bipolar é realizado por uma equipe multidisciplinar, composta por médico psiquiatra, médico neurologista e psicólogo, e pode durar um longo tempo, até mesmo anos, dependendo da gravidade e da evolução de cada pessoa.

O tratamento então vai consistir em: uso de medicamentos para controlar as oscilações de humor (estabilizadores de humor, antipsicóticos, anticonvulsionantes, ansiolíticos e antidepressivos), psicoterapia (que te ajudará a lidar com este problema e mudar seu comportamento diante das crises de euforia e depressão), mudança de estilo de vida (ter relacionamentos saudáveis, procurar apoio, manter o estresse controlado, monitorar o humor, praticar exercícios físicos, ter uma dieta equilibrada, dormir bem e deixar vícios) e, em casos mais graves, hospitalização (indicada caso você possua comportamentos de risco para si mesma ou para outra pessoa) e reabilitação (indicada se você for dependente de álcool e outras drogas).

Se o médico então indicar medicamentos para seu caso, saiba que eles são controlados, sob prescrição médica. Portanto nunca se automedique e siga as orientações médicas corretamente.

Fonte:

https://www.nimh.nih.gov/health/topics/bipolar-disorder/index.shtml


Mariana de Andrade

Psicóloga E-mail: mary.drad@yahoo.com.br