Saiba Tudo Sobre a Vaginose Bacteriana

vaginose

A causa mais comum de corrimento vaginal é a vaginose bacteriana, ganhando da candidíase, outra doença que acomete com frequência mulheres. Sabe-se que essa infecção é desencadeada por um desequilíbrio da flora bacteriana vaginal, fazendo com que a concentração de bactérias “ruins” aumente.

Para o Dr. Sergio dos Passos Ramos, este é o corrimento vaginal com mais incidência. Trata-se de uma infecção genital causada principalmente pela bactéria Gardnerella Vaginalis (e outras como Peptostreptococcus, Prevotella, Porphyromonas e Mycoplasma hominis).

Ramos ainda menciona que, por algumas das bactérias responsáveis pela vaginose bacteriana serem encontradas habitualmente no ser humano, esta doença não é considerada uma DST. A transmissão se dá tanto pelo contato íntimo, quanto pela relação sexual. Ela também é considerada a segunda causa de candidíase. O corrimento tem um odor desagradável e forte.

1) Quais são as causas da vaginose bacteriana?

Para o Dr. Pedro Pinheiro, a vagina é um órgão habitado naturalmente por muitas bactérias, tanto “boas”, quanto “ruins”. Cerca de 95% de lactobacilos são as ditas bactérias “boas”, estas protegem o órgão íntimo feminino, impedindo a proliferação de doenças. Tudo isto ocorre através do controle do pH da vagina e da competição por alimentos feito por esses micro-organismos.

De todas as bactérias presentes na flora vaginal, a Gardnerella vaginalis parece ser o micro-organismo mais característico da vaginose. Isto por estar presente em mais de 96% dos casos da doença.

As causas desta desregulação da flora bacteriana apresenta 5 fatores de riscos mais conhecidos, são eles:

  1. Múltiplos parceiros sexuais.
  2. Realizar ducha vaginal com frequência.
  3. Fumar.
  4. Uso recente de antibióticos.
  5. Uso de DIU.

Apesar de bem delineadas, estas causas não são definitivas, e nem há dados aprofundados sobre o quanto todas elas podem influenciar na flora vaginal a ponto de causar esse transtorno. Sabe-se, por exemplo, que a ducha vaginal além do normal, bem como o uso de DIU, interferem na mesma devido a “limpeza” da região, inclusive das bactérias responsáveis pela proteção da vagina.

Outro fator importante a se destacar nessas causas é que, além dos fatores que podem levar ao problema, outros o potencializam, ou aumentam o risco. Um destes casos é ter muitos parceiros sexuais, uma vez que a própria relação sexual, sem proteção, pode alterar a flora vaginal. Os cuidados aqui são fundamentais.

Por fim, ainda o fator Ph da vagina. O Ph é o índice usado para identificar os níveis de alcalinização e acidez no organismo, e na região íntima feminina, esses valores precisam ser equilibrados para não alterar a flora vaginal. Sendo a vagina uma região naturalmente quente e abafada, esses valores podem mudar com frequência se não houver meios de manter o local mais fresco.

Vaginose bacteriana é ou não DST?

Esta doença não causa perigos reais a suas enfermas, embora seja constrangedor a presença de seus sintomas, como veremos a seguir. Ela se dá principalmente em mulheres em idade fértil, o que não costuma ser raro serem adolescentes e jovens adultas. Independente dos grupos de risco e de suas possíveis consequências, a classificação como DST é controversa.

Tem quem categorize o transtorno como doença devido a uma das causas ser relações sexuais desprotegidas. Entretanto, essa afirmação já caiu por terra há muito tempo: uma vez que é comprovado que a vaginose bacteriana é mais causada pela falta de cuidados íntimos da mulher, e apenas potencializados pelo ato sexual, ela não pode ser categorizada como DST.

Obviamente, isso não isenta as mulheres de se cuidarem com as relações sexuais, pelos riscos de outras doenças sexualmente transmissíveis. Mas ao saber discernir a origem dessa doenças, fica mais claro seus diagnósticos e meios de resolução.

2) Sintomas da vaginose bacteriana

De modo geral, a vaginose bacteriana pode ser assintomática. Nos casos em que os sintomas se apresentam, contudo, o mais comum é o forte odor (também chamado de cheiro de peixe) e um corrimento acinzentado. Além disso, o odor piora após relação sexual.

Diferente da inflamação na vagina, conhecida como Vaginite, não há sintomas como coceira e dor, urinando ou não. Alguns casos mais raros podem apresentar dor durante o ato sexual, o que pode significar não apenas vaginose bacteriana, como doenças inflamatórias pélvicas.

Nestes casos, pode ser necessário um tratamento mais direto e meticuloso, a base de antibióticos. Inflamações desse tipo são perigosas, pois afetam outros órgãos da região, como útero e no sistema excretor, por isso é importante se atentar a seu principal sintoma.

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Diagnóstico de Vaginose Bacteriana

Somente um ginecologista pode confirmar, com exatidão, se os sintomas categorizam vaginose bacteriana ou não, através de exames laboratoriais após a queixa da paciente. São colhidas amostras das secreções, e levadas para análise. Também será analisado se há a chance de desenvolver outras doenças pélvicas.

Nesses exames, são avaliados justamente o Ph da vagina. Quando há a presença de vaginose, o índice fica abaixo do ideal, ou seja, menos ácido. Também é possível identificar se não há outros tipos de microrganismos invasores e nocivos a saúde íntima da mulher, como fungos, por exemplo.

Em outros casos, por sua vez, esse exame pode ser feito no próprio consultório, em que o ginecologista coleta parte da secreção e expõe a uma substância chamada hidróxido de potássio. Caso haja a presença da bactéria, o cheiro de peixe podre é ainda mais ressaltado.

Complicações da Vaginose Bacteriana

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Por si só, a vaginose não causa problemas diretos a mulher. Obviamente, os transtornos causados pelo mau cheiro são complicadores por si só, mas a saúde no geral não. Entretanto, a falta de regulação na flora vaginal pode acarretar em outros tipos de doenças. Algumas delas podem ser vistas a seguir.

Exposição a DSTs – É de longe a mais perigosa e evidente. Além da própria mulher contrair doenças como candidíase e vaginite, ela acaba expondo o parceiro ao mesmo cenário. O uso de preservativos é necessário, porém o cuidado íntimo é ainda mais eficiente.

Maior risco de inflamações pélvicas – Bactérias e fungos são microrganismos que podem se alastrar facilmente para outras regiões do corpo se houverem facilitadores, e a flora vaginal é um desses canais. Caso não haja uma boa limpeza da região, a mulher pode ficar a exposta a outros tipos de infecções por bactérias afetando o baço, ou até mesmo o útero.

Chance de parto prematuro – Para gestantes, a vaginose bacteriana mal cuidada é ainda mais perigosa. Devido às alterações na região, há maiores chances do bebê nascer antes do período ideal, e provocar riscos à criança. Para estes casos, o pré-natal é ainda mais necessário.

3) Tratamento da vaginose bacteriana

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Em cerca de 1/3 dos casos, a vaginose desaparece espontaneamente, devido à recuperação da população de lactobacilos. Portanto, só se indica tratamento caso existam sintomas de outras doenças bacterianas, ou se a paciente esteja prestes a realizar uma cirurgia ginecológica.

O tratamento, quando indicado, é feito com antibióticos por via oral ou intravaginal. Cremes vaginais também ajudam diretamente a tratar do transtorno. Mas apesar do tratamento com antibióticos curar a vaginose, eles não agem diretamente nas suas causas e, por isso, a taxa de recorrência da doença é alta.

Para a Dra. Sheila Sedicias, “o tratamento deve ser feito até o fim, mesmo que os sintomas como corrimento e mau cheiro na vagina diminuam ou desapareçam, pois a vaginose quando não tratada pode causar doença inflamatória pélvica ou aumentar o risco de desenvolver uma doença sexualmente transmissível, como clamídia”.

Além disso, é muito importante para as mulheres que mantenham os cuidados íntimos constantemente e com atenção. Não fazê-lo, além de aumentar as chances de novas manifestações, ainda podem expor a região a contrair DSTs. Mais adiante, vamos te oferecer algumas boas dicas de prevenção a vaginose bacteriana.

4) Tratamento caseiro e natural para vaginose bacteriana

Ainda sem dispensar a visita ao médico, em casa é possível reduzir os sintomas da vaginose. Para isso, utilize chá de uva-ursina, pois o mesmo tem ação antibacteriana e anti-séptica.

Modo de preparo:

  • O chá deve ser feito numa proporção de 30 gramas de folhas de uva-ursina para 500 ml de água.
  • Ferva água com a folha por 15 minutos.
  • Ingerir 3 xícaras ao dia.

O chá ajuda a controlar os níveis de Ph na vagina, bem como em todo o organismo. A única contra-indicação é para grávidas, que precisam de outro tipo de cuidados para controlar os cuidados na região.

Outra forma muito simples e direta de cuidar da saúde íntima, com esse objetivo, é utilizando óleo essencial de árvore do chá. Basta algumas gotas diluídas em um copo de água morna, e usá-lo para higienizar a região íntima.

Com suas propriedades antifúngicas e antibacterianas, o óleo pode ajudar as mulheres a reduzirem tanto os níveis de bactérias e outros microrganismos nocivos, como diminuir ou mesmo acabar com o mau odor na vagina, que é um dos indicativos da vaginose.

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Veja também: Como Tratar o Corrimento Vaginal em um Instante?

5) Como se prevenir da vaginose bacteriana?

Como é possível perceber, as causas da vaginose bacteriana estão totalmente ligadas ao cuidado íntimo, ou a falta do mesmo. Se você não ignorar os sintomas, pode ter uma recuperação ainda mais rápida e tomar as atitudes cabíveis para não sofrer deste mal novamente. E para te ajudar nessa tarefa, separamos algumas boas dicas. Veja a seguir!

Busque uma alimentação equilibrada

A nossa alimentação interfere nos níveis de Ph não apenas na flora vaginal, como em todo o organismo. Logo, começar buscando alimentos alcalinizantes e ricos em probióticos, que ajudam a regular os níveis de acidez no organismo, é uma maneira muito simples e eficiente de cuidar da saúde íntima. Aqui vão alguns exemplos de alimentos desse tipo.

  • Limão
  • Iogurte
  • Kefir
  • Azeitona
  • Alho

Além disso, evitar alimentos ricos em sódio, açúcar e sal em geral pode ajudá-la a ter mais segurança com a saúde íntima e evitar a diminuição do Ph.

Regule a Ducha Íntima

Não é preciso fazer a ducha exatamente todos os dias. Claro que haverão dias em que ela é necessária, sobretudo para quem faz atividades físicas constantemente e/ou tem uma vida sexual ativa. Mas o fato é que a limpeza constante acaba por deixar a região mais exposta a bactérias nocivas do que auxiliares.

Ainda durante o banho, evite o uso de bidês para a limpeza íntima. Locais como estes já possuem outros tipos de microrganismos e germes, o que torna a região ainda mais exposta para as mulheres.

Procure, junto ao ginecologista, uma rotina de limpeza que seja ao mesmo tempo de acordo com sua intimidade, e que possa oferecer a segurança que precisa. Com o tempo, a própria mulher pode encontrar a sua própria rotina, e cuidar-se instintivamente.

Evite roupas apertadas o tempo todo

A vagina, bem como sua região interior, é naturalmente mais quente que o restante do corpo, o que torna propício tanto para bactérias, como para fungos. Logo, uma maneira muito simples de evitar o surgimento de corrimento e odor ruim é utilizando roupas que deixem o órgão mais arejado. Calças mais folgadas, bermudas e vestidos são algumas sugestões. O mesmo vale para as peças íntimas.

Outra sugestão é não utilizar roupa íntima ao dormir, se houver um ambiente favorável para tal. Dessa forma, você deixa que a flora vaginal se desenvolva sozinha, e regule os níveis de Ph naturalmente também.

Atenção durante as relações sexuais

Embora não seja causada pelas relações sexuais, ela pode ser um potencializador para a vaginose bacteriana. O sexo, por si só, altera a flora vaginal, o que é mais um motivo para as mulheres cuidarem da higienização íntima após o ato sexual. Mesmo os cuidados antes da relação são importantes, seja por prevenção a outras DST, seja para evitar constrangimentos com o parceiro.

Quanto ao parceiro em si, não são necessários cuidados específicos na presença do transtorno, embora não seja descartada o uso de preservativos, por precaução natural mesmo.

Agora que você já sabe como se cuidar, evitar a vaginose bacteriana é algo muito mais fácil, não é verdade? Então não deixe de se valorizar, e faça bons cuidados de si. Nosso corpo é muito importante em todos os detalhes, então leve esses cuidados a sério. Até a próxima!

Fontes:

http://www.mdsaude.com/2011/07/vaginose-bacteriana-gardnerella.html

Redator e Roteirista autônomo, com interesse em diversas áreas de conhecimento e sem medo de se aprofundar nelas. Buscando desenvolver-se ainda mais como autor, buscando formas criativas de trazer conteúdos variados para seus leitores.