Barriga d’água ou Ascite: Quais são as Causas? Tem Cura?

Existe um problema muito comum e que provavelmente você ouvia muito falar quando ainda era criança: De acordo com o termo médico, a barriga d’água, como popularmente é conhecida, chama-se ascite. Apesar de ser popularmente falado, nem todo mundo sabe explicar exatamente sobre do que se trata, o que fazer para tratar e prevenir o problema e qual os verdadeiros riscos que ele traz a saúde. Mas a seguir iremos aprender cada pequeno detalhe envolvido sobre esse determinado assunto e te guiar melhor sobre os passos seguros que devem ser tomados em caso de existis a confirmação diagnosticada.

Explicando resumidamente, a barriga d’água consiste em um problema que reflete o acúmulo irregular de líquido na região abdominal. Formalmente falando, esse problema provoca uma acumulação irregular de líquidos na região do abdômen, mais precisamente na sua cavidade. Acúmulo este que não é normal e indica que a saúde do indivíduo provavelmente está desestabilizada.

Mas há uma curiosidade que provavelmente você não sabia acerca da anomalia: A barriga d’água não é propriamente considerada uma doença, mas sim um fator que expressa a possível existência de outro problema existente. Resumidamente, podemos relacionar a barriga d’água como um sintoma que surge devido alguma enfermidade que pode estar assolando alguma pessoa em alguma circunstância da sua vida e por isso podemos afirmar que a ascite está sempre relacionada a alguma doença.

Com relação ao liquido que fica acumulado em decorrência desse problema, ele pode originar-se de regiões como a bile, o plasma do sangue, do próprio sangue, do suco produzido no pâncreas, da linfa, da própria urina, até o líquido presente no intestino, podendo também surgir de outras regiões distintas. Quando o problema se desenvolve, significa que existe diversos distúrbios presentes na anatomia, fisiopatologia e bioquímica decorrente de muitas doenças distintas, das quais podemos destacar:

  • Doença de cirrose hepática;
  • Hepatite fulminante;
  • Trombose da veia porta;
  • Doença do pâncreas (pancreatite);
  • Insuficiência do miocárdio;
  • Pericardite Constritiva;
  • Insuficiência crônica dos rins;
  • Tuberculose;
  • Esquistossomose;
  • Infecção causada por fungo e por bactéria;
  • Alguns tipos de câncer, dos quais destacamos o mesotelioma e o linfoma;
  • Problemas com obstrução linfática no mesentério;
  • Problemas com endometriose;
  • Síndrome de Meigss;
  • Síndrome de Hiperestimulação dos ovários.

Além desses problemas que podem estar diretamente associados com a ocorrência da barriga d’água, vale saber que ela também pode surgir devido aos casos de lúpus eritematoso sistêmico, casos de angiodema hereditária, artrite reumatoide e de doenças da doença de Whipple, dentre muitas outras.

Em todo caso, é muito importante estar atento a esse problema que como vimos pode ser um alerta de que podemos estar sofrendo com algo mais grave não é verdade? Por isso, o artigo de hoje irá mostrar os principais sintomas da Barriga d’água e explicar muitas outras questões referentes ao assunto que com certeza irão te ajudar a prevenir o mal e ainda proceder da forma correta caso você ou alguém conhecido seja acometido pelo problema.

Como a ascite (barriga d’água) ocorre?

O corpo humano é constituído por variados canais responsáveis por manter o fluxo contínuo eficiente de líquidos presentes no organismo, evitando desse modo o acúmulo deles em regiões que não podem ter tais acúmulos. A ascite surge exatamente quando isso ocorre.

Todo o líquido acumulado em decorrência desse problema tem sua origem dos próprios vasos sanguíneos, onde por alguma razão perde a capacidade de fazer com que o sangue permaneça ali no local, fazendo com que ele vaze erroneamente para as regiões internas da cavidade abdominal. Geralmente isso acontece por conta de alguns fatores dos quais destacamos:

  • Aumento da pressão hidrostática;
  • Rins que retêm muito sal e água;
  • Escassez de proteína no sangue.

No caso das mulheres, é necessário ficar mais atento no período menstrual, onde é extremamente normal ocorrer um pequeno acúmulo de líquidos na região peritoneal e isso não significa que a mulher está necessariamente sofrendo com alguma enfermidade. Nessas situações, acumular até vinte mililitros de líquido já é o bastante para que seja notado um leve inchaço. Contudo é preciso de muito mais para se considerar de fato a possibilidade de existir alguma doença associada.

A seguir iremos explicar melhor sobre cada fator supracitado que pode contribuir para a ocorrência do acúmulo indevido de líquido.

1) Aumento da pressão hidrostática

Quando ocorre a elevação da pressão sanguínea na região das veias que tem passagem próxima pela região do peritônio, dando maior destaque aquelas que compõem o sistema porta hepático, faz com que tais vasos se dilatem de tal forma que promove o vazamento de um certo líquido que por ser filtrado, também denomina-se de soro.

2) Rins que acabam retendo muita água e sal

Agora você entenderá melhor porque em algumas pessoas, os rins tendem a reter muito mais água e sal. Lembra do aumento da pressão que citamos no item anterior? Pois bem, quando isso acontece o nosso organismo faz de tudo para conseguir equilibrar novamente essa pressão e mantê-la normal, e ele faz isso por intermédio da liberação de algumas substâncias, que inclusive tem a capacidade de promover dilatação dos vasos do sangue.

Quando essa pressão alta se concentra exatamente no sistema porta hepático, a quantidade que é liberada dessa substância vasodilatadora é muito maior o que faz com que os vasos presentes no nosso organismo em geral seja dilatado.

Na medida que isso ocorre, os nossos rins acabam entendo isso da forma errada, interpretando essa situação como uma necessidade de líquido para os vasos acreditando que há falta deles. E é a partir desse instante que os rins começam a reter todos os líquidos e sais que puderem, mas como os vasos estão dilatados, todo esse líquido retido acaba vasando para partes da cavidade do abdômen e por lá se acumulando irregularmente.

3) Escasses de proteína no sangue

Para quem não sabe, os vasos sanguíneos do corpo humano possuem diversos furinhos bem pequenos, chamados de poros. Contudo, a passagem do sangue pela região não é prejudicada em vista de tais poros, ocorrendo de forma eficiente.

E talvez é aí que você se pergunte porque o sangue não vasa por esses pequenos buraquinhos não mesmo? E a resposta é bem simples. Na nossa corrente de sangue existe a presença de proteínas que tapam esses poros a fim de que o fluxo passe de forma eficiente.

Quando a proteína começa a ficar escassa, os poros perdem a sua barreira e é nesse exato momento que o líquido filtrado do sangue vasa e se acumula em regiões como o abdômen.

Quais são os sintomas da Ascite (barriga d’água)?

Em seu estágio inicial, a Barriga D’água não apresenta sintomas, contudo, a passar do tempo e com o desenvolvimento do problema, o indivíduo poderá começar a sofrer com alguns sintomas que irão variar de acordo com a quantia de líquido acumulada na sua região abdominal. Dos sintomas a serem considerados estão:

  • Aumento de peso repentino sem motivo justificável;
  • Sensação de inchaço;
  • A região da barriga e da cintura acaba crescendo nitidamente;
  • Dores abdominais;
  • Falta de apetite;
  • Sensações de náuseas e possíveis vômitos;
  • Problemas para poder respirar.

E ainda, dependo do fator secundário que justifique o aparecimento da ascite, o paciente também pode sofrer com outros sintomas, desde o aumento do fígado até perda de peso repentina, surgimento de edemas nas regiões das pernas e dos pés, indisposição (fadiga) e outros que também valem a pena ser analisados.

Ascite (barriga d’água) e sua relaçao com a cirrose

Dentre uma das principais doenças ligadas diretamente ao aparecimento da barriga d’água está a cirrose hepática, ou simplesmente chamada de cirrose. A mesma trata-se de uma doença crônica que atinge o fígado e surge devido ao vírus B e C da própria hepatite e também pelo abuso no consumo de álcool. Quando um indivíduo é diagnosticado com cirrose, ele apresenta alguns nódulos que se formam devido a doença e algumas cicatrizes que acabam impedindo que o sangue circule eficientemente, fato este que promove a elevação da pressão sanguínea, fazendo surgir a hipertensão portal.

Além de tudo isso que a cirrose provoca, ela também é responsável por diminuir a produção de uma proteína presente no sangue, chamada de albumina. Como vimos, tal proteína tem a finalidade de tapar os buraquinhos existentes nos vasos do sangue e impedir que o líquido do mesmo vase por eles e se acumulem em regiões como a cavidade do abdômen. Quando a diminuição de produção dessa proteína ocorre, é justamente isso que acontece, fazendo surgir a ascite.

Ascite (barriga d’água) e sua relação com a esquistossomose

A esquistossomose, nada mais é do que a famosa doença do caramujo, transmitida por vários parasitas. No caso do Brasil, o Schistosoma Mansoni é o principal transmitidor da doença no país e já conseguiu afetar mais de oito milhões de pessoas.

Quando um ser humano é infectado, por exemplo, através do contato com água contaminada, ele pode acabar sofrendo com um quadro de Hipertensão Portal, na fase crônica do problema. Essa pressão alta, como vimos é um dos fatores que acarretam o surgimento da Ascite e é nesse ponto que amas enfermidades se correlacionam.

A ascite (barriga d’água) tem cura?

Essa questão de cura é bem relativa. Como aprendemos que a barriga d´água é na verdade um problema que sinaliza a existência de uma doença subjacente, na realidade não existe nada em questão que promova a cura da ascite por si só.

Os sintomas do problema podem desaparecer, à medida que a doença em questão seja tratada e curada, ou seja, a cura da ascite depende diretamente da cura da doença que a fez surgir.

Inclusive, se tratando de enfermidades crônicas ou de doenças que acabam não tendo uma resposta satisfatória ao tratamento utilizado, a probabilidade que a ascite volte é muito grande. Desse modo, se o indivíduo não faz o tratamento adequado da doença pela qual ele foi acometido, ele dificilmente conseguirá se livrar da Barriga D’água.

A ascite (barriga d’água) pode atingir os cachorros?

Barriga d'água ou Ascite: Quais são as Causas? Tem Cura?

Para quem desconhece, a Barriga D’água pode atingir sim o cachorro e inclusive os gatos. E da mesma forma que ela surge no ser humano em decorrência de escassez de proteína presente no fluxo sanguíneo, de problemas no fígado, funcionamento irregular do coração ou até pela existência de vermes e parasitas no organismo, da mesma forma pode ocorrer com esses bichinhos de estimação. Além disso, a ascite pode ser o produto resultando de determinados tipos de infecção, hemorragia interna e até mesma da ruptura nas vias do sistema urinário.

Na maioria dos casos, o dono desses animais só conseguem detectar que eles estão sofrendo de ascite, no momento em que notam que a barriga deles já está em um tamanho grande e desproporcional ao seu peso e corpo. Quando essa situação acontece, é muito importante levar o bichinho para um médico profissional da área, a fim de fazer um exame de ultrassom que detecte a existência de líquido acumulado na cavidade do abdômen e possibilite que possa ser feito uma retirada desse líquido, para que ele possa ser estudado e descoberto em seguida a verdadeira causa desse acúmulo e decidido quais as melhores formas de tratamento para ela.

Quem tem animal de estimação em casa deve se precaver e prevenir para que o mesmo não sofra com o problema. E dentre os mecanismos que podem ser utilizados para essa prevenção destacamos:

  • Passear junto com o animal, evitando deixar ele solto na rua;
  • Garantir sempre que a sua vacinação esteja em dia;
  • O ideal é alimentar o animal com ração apropriada, evitando dar comida humana para ele;
  • A vermifugação deve ser feita de forma período, de acordo com a recomendação e instrução do veterinário;

A ascite (barriga d’água) no animal tem cura?

Sim, felizmente, assim como em nós seres humanos, a ascite pode ser tratada quando atinge os cachorros e os gatos. Porém, como já vimos, a cura vem diretamente do tratamento eficiente do possível problema subjacente que o animalzinho possa estar sofrendo. Dentre os principais fatores que podem estar ligando a ocorrência de ascite no seu animalzinho estão a falta de vontade de comer, a letargia, presença de vômitos, ganho e peso inexplicável, sinais que justifiquem provável dor, gemer quando vai se deitar e dificuldade para respirar.

O ideal mesmo é que você cuide sempre muito bem do seu cachorro ou gato e promova todas as alterações necessárias para prevenir o aparecimento do problema, uma vez que isso causa sofrimento para o animal até o momento em que ele de fato conseguir obter melhora.

Como a ascite (barriga d’água) deve ser tratada?

Se por acaso você ou alguém que você conheça tenha recebido o diagnóstico de ascite, é extremamente importante saber o que deve ser feito para tratar o problema. Primeiramente, todo o tratamento se baseia precipuamente na utilização de paracentese, que nada mais é do que um método utilizado para drenar. Nesse contexto é ligado no abdômen uma punção, que através de um cateter, faz toda a drenagem do líquido acumulado para uma espécie de bolsa de coleta.

Não é preciso se preocupar pois todo esse procedimento, além de não causar dor no paciente, é super simples de ser feito. Aliás, é utilizada uma anestesia na região a ser tratada, o que justifica o fato do tratamento ser indolor.

Contudo, quem pensa que basta tirar o líquido do abdômen para ficar tudo certo está muito enganado, até porque não é a ascite que está sendo tratada de forma isolada. A atenção principal é da doença que promoveu o surgimento desse problema em questão e o tratamento dela é que vai definir a cura ou não da ascite propriamente dita. Em vista disso, dependendo do caso, as formas de tratamento podem variar bastante, sendo necessário as vezes utilizar-se de medicamentos diuréticos para auxiliar esse processo de cuidado, bem como alterações na dieta alimentar que incluem restrição quanto ao consumo do sal, uma vez que ajuda a evitar que a quantidade presente de sal no sangue seja elevada.

Já nos casos em que o indivíduo é diagnosticado com uma cirrose em estágio avançado, o método da paracentese pode ser necessário com mais periodicidade, visto que nesse quadro da doença já não se torna mais possível conseguir tratar e curar a Barriga D’água. Quando o paciente estiver sofrendo com alguma infecção, o procedimento mais indicado será oferta-lo no hospital, o uso de antibióticos que consigam combater os principais causadores da própria infecção.

Quais os medicamentos mais indicados para ascite (barriga d’água)?

Se o diagnóstico comprovar a ascite, existem os melhores remédios para auxiliar no tratamento do caso. E cm relação a eles é extremamente importante que tenham a capacidade de promover a drenagem dos líquidos que acabaram se acumulando indevidamente no organismo. Tais medicamentos são o que chamamos de diuréticos e que um pouco anteriormente mencionamos. E dentre a gama variada de diuréticos disponíveis, os melhores para esse caso são o Furosemida e o Espironolactona.

Lembrando que não pode tomar tais medicamentos por conta própria. Você deve ir a um profissional ideal e de acordo com suas recomendações tomar as providências necessárias para obter melhora.

Afinal, como prevení-la?

Afirmar que existe uma forma precisa de prevenir a possível e temida ascite é precipitar-se. Mas também não se pode negar que existem sim alguns cuidados que podem ser tomados para tentar evita-la da melhor maneira possível. Anote aí todas as dicas:

  • O ideal é não consumir bebida alcoólica, mas para quem não quer cortar da lista, pode reduzir significativamente esse consumo, evitando exageros, até porque isso prevenirá eficazmente uma possível cirrose futura;
  • Consumir diariamente pelo menos dois litros de água, para que os rins não fiquem sobrecarregados;
  • Mantenha sempre uma dieta bem equilibrada e se policie no consumo do sal;
  • Ficar em dia com as vacinas da hepatite A e B;

Quando for entrar em contato com água represada, use sempre botas e luvas, visto que nela se encontra o espaço perfeito para que parasitas transmissores da esquistossomose vivam e se proliferem. Com os cuidados necessários é possível sim não ter esse problema na sua vida, mas se tiver, lembre-se, é imprescindível ir em busca de um profissional qualificado para que ele diagnostique a verdadeira causa decorrente da ascite e lhe indique para o melhor tratamento do seu caso.